Erisipela: Entenda os Riscos, Complicações, Grupos de Risco e a Importância do Tratamento Precoce

Introdução

A erisipela é uma infecção bacteriana aguda da pele que afeta milhares de pessoas todos os anos e representa uma importante causa de atendimento médico, internações hospitalares e afastamento das atividades diárias. Embora muitas vezes seja vista apenas como uma vermelhidão na perna acompanhada de dor e inchaço, a doença pode evoluir para complicações graves quando não é diagnosticada ou tratada adequadamente.

Além do desconforto físico, a erisipela pode comprometer significativamente a qualidade de vida do paciente. A dor, a dificuldade para caminhar, o afastamento do trabalho, a necessidade de hospitalização e o risco de recorrências são consequências frequentemente observadas. Em situações mais graves, a infecção pode evoluir para abscessos, necrose tecidual, linfedema permanente, sepse, fasciite necrosante e até osteomielite, uma infecção que acomete o tecido ósseo.

Compreender como a doença surge, quem apresenta maior risco, quais são os sinais de alerta e como prevenir complicações é fundamental para reduzir sequelas e garantir melhores resultados no tratamento.


O que é a erisipela?

A erisipela é uma infecção bacteriana que acomete principalmente as camadas superficiais da pele e os vasos linfáticos. Na maioria dos casos, o agente causador é o Streptococcus pyogenes, conhecido como estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Em algumas situações, outras bactérias também podem estar envolvidas.

A doença ocorre quando microrganismos conseguem ultrapassar a barreira natural da pele através de pequenas lesões, muitas vezes imperceptíveis ao paciente. Essas lesões funcionam como portas de entrada para as bactérias, permitindo sua multiplicação e desencadeando uma intensa resposta inflamatória.

Entre as principais portas de entrada estão:

  • Frieiras entre os dedos dos pés;

  • Micoses;

  • Rachaduras nos pés;

  • Ferimentos traumáticos;

  • Úlceras venosas;

  • Feridas diabéticas;

  • Feridas cirúrgicas;

  • Picadas de insetos;

  • Arranhões;

  • Dermatites;

  • Eczemas;

  • Cortes e fissuras da pele.

Uma vez instalada, a infecção se espalha pelos vasos linfáticos superficiais, provocando os sinais e sintomas característicos da doença.


Por que a erisipela acomete principalmente as pernas?

A grande maioria dos casos ocorre nos membros inferiores. Isso acontece porque as pernas frequentemente apresentam condições que favorecem a entrada das bactérias e dificultam a resposta do organismo.

Entre os fatores mais comuns estão:

  • Insuficiência venosa crônica;

  • Edema persistente;

  • Linfedema;

  • Má circulação sanguínea;

  • Micoses entre os dedos;

  • Feridas crônicas;

  • Pequenos traumas repetitivos.

Pessoas que passam muito tempo em pé ou sentadas também podem apresentar maior predisposição devido às alterações do retorno venoso e ao aumento do edema nos membros inferiores.


Erisipela e celulite infecciosa: qual é a diferença?

É muito comum haver confusão entre erisipela e celulite infecciosa. Embora ambas sejam infecções bacterianas da pele e dos tecidos moles, existem diferenças importantes.

A erisipela acomete principalmente as camadas superficiais da pele e os vasos linfáticos. Caracteriza-se por apresentar vermelhidão intensa, bordas bem definidas, início súbito, dor importante e febre.

Já a celulite infecciosa acomete tecidos mais profundos, incluindo a derme profunda e o tecido subcutâneo. Sua área de vermelhidão costuma apresentar limites menos definidos e existe maior tendência à formação de abscessos e comprometimento profundo dos tecidos.

Na prática clínica, ambas podem coexistir e, muitas vezes, o diagnóstico diferencial é realizado com base na avaliação médica e na evolução clínica.

Independentemente da nomenclatura, ambas exigem tratamento adequado e acompanhamento para evitar complicações.


Quais são os sintomas da erisipela?

O início dos sintomas costuma ser rápido. Muitos pacientes relatam que estavam bem e, em poucas horas, passaram a apresentar febre, mal-estar e uma área avermelhada na pele.

Os principais sinais e sintomas incluem:

  • Vermelhidão intensa;

  • Inchaço;

  • Dor;

  • Sensação de calor local;

  • Febre;

  • Calafrios;

  • Dor de cabeça;

  • Náuseas;

  • Mal-estar geral;

  • Cansaço intenso.

Uma característica bastante típica da erisipela é a presença de bordas bem delimitadas, permitindo visualizar claramente a área comprometida.

Em alguns casos podem surgir bolhas, petéquias, áreas arroxeadas e sinais de sofrimento dos tecidos.


O que acontece no organismo durante a infecção?

Quando a bactéria invade os tecidos, o organismo desencadeia uma resposta inflamatória intensa para tentar controlar a infecção.

Os vasos sanguíneos tornam-se mais permeáveis, permitindo a saída de líquidos para os tecidos, o que resulta em edema. Simultaneamente, os vasos linfáticos sofrem inflamação, comprometendo sua capacidade de drenagem.

Essa alteração explica por que muitos pacientes desenvolvem ou agravam quadros de linfedema após episódios de erisipela.

Nos casos mais graves, as bactérias podem ultrapassar as barreiras locais e atingir tecidos profundos ou a corrente sanguínea.


Quem apresenta maior risco de desenvolver erisipela e complicações?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver a doença, determinados grupos apresentam risco significativamente maior tanto para o surgimento da infecção quanto para suas complicações.

Diabetes mellitus

O diabetes é um dos principais fatores de risco.

O excesso de glicose no sangue compromete o funcionamento das células de defesa, reduzindo a capacidade do organismo de combater infecções. Além disso, muitos pacientes apresentam neuropatia diabética, que reduz a sensibilidade dos pés e dificulta a identificação de pequenas lesões.

A circulação sanguínea também costuma estar comprometida, prejudicando a chegada de oxigênio, nutrientes e antibióticos aos tecidos.

Esses fatores favorecem infecções mais graves, maior risco de complicações e cicatrização mais lenta.

Insuficiência venosa crônica

A insuficiência venosa é uma das principais causas de erisipela recorrente.

Quando as veias não conseguem transportar adequadamente o sangue de volta ao coração, ocorre acúmulo de líquido nos tecidos, favorecendo edema, alterações da pele e surgimento de feridas.

Essas alterações aumentam significativamente o risco de infecção.

Linfedema

O sistema linfático possui papel fundamental na defesa do organismo.

Quando existe linfedema, ocorre acúmulo de líquido rico em proteínas nos tecidos, criando um ambiente favorável à proliferação bacteriana.

Além disso, cada episódio de erisipela provoca novos danos aos vasos linfáticos, aumentando o risco de recorrência.

Obesidade

A obesidade está associada a inflamação crônica, alterações imunológicas, dificuldade de mobilidade, aumento do edema e maior incidência de diabetes e insuficiência venosa.

Diversos estudos demonstram maior gravidade da infecção e maior risco de recorrência nesses pacientes.

Doença arterial periférica

A doença arterial reduz a chegada de sangue aos tecidos.

Consequentemente, há menor oferta de oxigênio, nutrientes, antibióticos e células de defesa, dificultando o controle da infecção e aumentando o risco de complicações.

Imunossupressão

Pacientes submetidos à quimioterapia, transplantados, usuários de corticoides por longos períodos ou portadores de doenças imunológicas apresentam menor capacidade de combater infecções.

Nesses casos, a erisipela pode evoluir de forma mais agressiva.

Idosos

O envelhecimento provoca redução natural da eficiência do sistema imunológico e está frequentemente associado à presença de múltiplas doenças crônicas.

Por esse motivo, pacientes idosos apresentam maior risco de internação e complicações.


Quais são as principais complicações da erisipela?

Embora a maioria dos pacientes apresente boa evolução quando recebe tratamento adequado, algumas complicações podem ocorrer.

Formação de abscessos

Os abscessos são coleções de pus formadas pela destruição dos tecidos.

O paciente pode apresentar aumento da dor, persistência da febre, endurecimento local e piora do edema.

Nesses casos, frequentemente é necessária drenagem cirúrgica.

Formação de bolhas e hemorragias cutâneas

Alguns pacientes desenvolvem vesículas, bolhas, petéquias e equimoses.

Essas alterações costumam indicar maior intensidade do processo inflamatório.

Necrose tecidual

Quando a circulação local é gravemente comprometida, parte da pele e do tecido subcutâneo pode morrer.

A necrose aumenta significativamente o risco de infecção persistente, necessidade de procedimentos cirúrgicos e tempo de cicatrização.

Feridas complexas e úlceras

A destruição dos tecidos pode resultar em feridas extensas e profundas que exigem acompanhamento especializado, curativos avançados, desbridamentos e monitoramento contínuo.

Em alguns casos, a cicatrização pode levar meses.

Linfedema crônico

O dano aos vasos linfáticos pode tornar-se permanente.

O paciente passa a apresentar inchaço persistente, sensação de peso nos membros, limitação funcional e maior predisposição a novos episódios de infecção.

Bacteremia

A bactéria pode atingir a corrente sanguínea, disseminando-se para outras regiões do organismo.

Essa condição aumenta o risco de complicações sistêmicas e necessidade de hospitalização.

Sepse

A sepse representa uma resposta inflamatória sistêmica descontrolada provocada pela infecção.

Trata-se de uma emergência médica que pode causar:

  • Queda da pressão arterial;

  • Confusão mental;

  • Insuficiência renal;

  • Falência de múltiplos órgãos;

  • Risco de morte.

Fasciite necrosante

A fasciite necrosante é uma infecção rara, porém extremamente grave, que destrói rapidamente os tecidos profundos.

O principal sinal de alerta é uma dor intensa e desproporcional aos achados iniciais da pele.

A doença exige tratamento cirúrgico urgente e antibioticoterapia intravenosa.


A erisipela pode atingir o osso?

Sim.

Embora seja uma complicação rara, a erisipela pode evoluir para osteomielite, principalmente quando existem abscessos, necrose, feridas profundas ou atraso no tratamento.

A osteomielite é uma infecção do tecido ósseo que pode ocorrer por extensão direta da infecção dos tecidos moles para o osso localizado abaixo da área acometida.

Essa progressão acontece principalmente quando a infecção consegue ultrapassar as camadas superficiais da pele e atingir estruturas mais profundas.


O que é osteomielite?

A osteomielite é uma infecção que acomete o tecido ósseo.

Trata-se de uma condição potencialmente grave, que pode provocar destruição progressiva do osso, dor persistente e dificuldade funcional.

Em casos avançados, a infecção pode tornar-se crônica, exigindo tratamento prolongado e até procedimentos cirúrgicos.


Como a osteomielite se desenvolve a partir da erisipela?

A principal via é a extensão por contiguidade.

Nesse mecanismo, a infecção progride gradualmente da pele para o tecido subcutâneo, músculos, estruturas profundas e, finalmente, para o osso.

Essa complicação costuma ocorrer principalmente quando há:

  • Abscessos;

  • Necrose tecidual;

  • Feridas profundas;

  • Doença vascular importante;

  • Diabetes descompensado;

  • Tratamento inadequado ou tardio.

Embora rara, essa evolução demonstra a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado.


Quais são os sintomas da osteomielite?

Os principais sinais incluem:

  • Dor persistente e intensa;

  • Vermelhidão prolongada;

  • Edema importante;

  • Febre recorrente;

  • Feridas que não cicatrizam;

  • Saída de secreção persistente;

  • Limitação funcional;

  • Dificuldade para caminhar.

O diagnóstico geralmente exige exames de imagem e avaliação especializada.

Quando procurar atendimento de urgência?

A procura imediata por atendimento é fundamental quando surgem sinais sugestivos de agravamento da infecção.

Os principais sinais de alerta incluem:

  • Febre alta persistente;

  • Calafrios intensos;

  • Sonolência excessiva;

  • Confusão mental;

  • Queda da pressão arterial;

  • Aumento rápido da área vermelha;

  • Dor intensa ou desproporcional;

  • Formação de bolhas;

  • Escurecimento da pele;

  • Presença de secreção purulenta;

  • Dificuldade para caminhar;

  • Falta de melhora após 48 a 72 horas do início do tratamento.

Pacientes diabéticos, imunossuprimidos, idosos ou portadores de doenças vasculares devem ter atenção redobrada.


Como prevenir a erisipela e suas complicações?

A prevenção depende principalmente da correção dos fatores que favorecem a entrada das bactérias.

As principais medidas incluem:

  • Tratar micoses e frieiras;

  • Hidratar a pele regularmente;

  • Controlar o diabetes;

  • Evitar traumas;

  • Tratar feridas precocemente;

  • Controlar edema e linfedema;

  • Utilizar terapia compressiva quando indicada;

  • Manter acompanhamento especializado.

Pacientes que já tiveram erisipela devem redobrar os cuidados, pois apresentam maior risco de recorrência.


Como a enfermeira Alexandra Magalhães Hassanein pode ajudar?

O acompanhamento especializado é fundamental tanto para o tratamento quanto para a prevenção de complicações e recorrências.

A enfermeira Alexandra Magalhães Hassanein atua de forma especializada na avaliação, prevenção e tratamento de feridas, alterações vasculares, edema, linfedema e complicações relacionadas à erisipela.

Durante a consulta de enfermagem especializada é realizada uma avaliação completa da pele e dos membros inferiores, incluindo identificação de portas de entrada para infecções, análise da circulação, presença de edema, alterações vasculares e fatores de risco associados.

Pacientes que apresentam feridas associadas podem receber acompanhamento direcionado para cicatrização, incluindo seleção de coberturas adequadas, monitoramento da evolução e orientações individualizadas.

Nos casos em que existem tecidos desvitalizados ou necrose, pode ser indicada a realização de desbridamento instrumental conservador, procedimento que auxilia na remoção de tecidos inviáveis e na preparação adequada do leito da ferida.

O controle do edema e do linfedema também faz parte do acompanhamento, uma vez que essas condições representam importantes fatores de risco para recorrência da erisipela.

Dependendo da avaliação clínica, recursos complementares como a laserterapia podem ser utilizados para auxiliar na modulação da inflamação, controle da dor e estímulo ao processo de cicatrização.

Outro aspecto fundamental é a educação em saúde. Muitos pacientes sofrem episódios recorrentes porque a causa inicial da infecção nunca foi identificada ou corrigida. A orientação adequada sobre cuidados com a pele, controle de doenças crônicas e prevenção de novas lesões contribui significativamente para reduzir o risco de novos episódios.

O atendimento domiciliar também pode ser uma alternativa para pacientes com dificuldade de locomoção, feridas extensas ou necessidade de acompanhamento frequente.


Considerações finais

A erisipela é uma infecção que não deve ser subestimada. Embora a maioria dos pacientes apresente boa evolução quando recebe tratamento adequado, complicações como abscessos, necrose, linfedema permanente, sepse, fasciite necrosante e osteomielite podem ocorrer, especialmente em pessoas com doenças crônicas e fatores de risco associados.

O diagnóstico precoce, o tratamento correto e o acompanhamento especializado são fundamentais para evitar sequelas, reduzir recorrências e preservar a qualidade de vida.

Quanto mais cedo a infecção for identificada e tratada, maiores serão as chances de recuperação completa e menores serão os riscos de complicações futuras.




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